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Backpacking: o começo
O vizinho de banco fechou a cortina. Do outro lado, um barrigudo com as calças abertas atrapalha a vista da janela do trem. Valeu muito a pena pagar 6,50 euros pela conexão à internet durante o trajeto do Thalys. Por duas horas e quinze.
Eu fazia o trecho Paris-Colônia, que duraria pouco mais de cinco horas. Porém, morta a bateria, acaba a diversão: o trem não possui tomadas. FAIL. Na ausência de corrente elétrica, recorre-se ao Blackberry. FAIL n°2: se você não pode abrir abas ou outros navegadores ao mesmo tempo, morrerá abraçado naquela página de boas vindas. Cinza. E repetindo que era especial para celular.
Para a primeira classe, o wi-fi é gratuito. A conexão é boa, pude enviar emails com velocidade e seguir trabalhando. Apesar da falcatrua da falta de tomadas, valeu a brincadeira para fugir de vizinhos de bancos interativos e despistar o sono quando se tem outro trem para pegar.
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Old School Paper Posting
NOTAS BEBENDO CEVA (EXCELENTE) E OLHANDO OS BARQUINHOS PASSANDO NO RENO.
1. 20 dias de turismo familiar no mês passado. Visitei lugares que só sabia da existência durante a vida de acordar-trabalhar-comer-trabalhar-escrever-dormir. Só não me chamem para entrar na Notre Dame. Tentei levar a minha tia para conhecer a igreja na tarde depois da morte do Michael Jackson. A polícia fechou o quarteirão e se desculpava, malhereusement um bando de malucos se juntaram para chorar o ídolo maluco lá na frente e eles foram chamados para proteger o patrimônio. Até sair de Paris, todos os fones de ouvido (altos) do metrô bombavam “Billie Jean”.
(Fiquei pensando se a brasileira que se jogou da Torre Eiffel teria alguma relação com essa comoção coletiva).
2. Consenso familiar: a Torre é baixinha.
3. Cena marcante daquela semana ou Pena que não fotografei: um casal agarrado aos beijos na calçada em frente à Maison du Brésil no meio da tarde. O carro com uma roda em cima da calçada, as portas abertas. Ele com uma lustrosa aliança dourada. Ela não.
4. Cena fotografada dias antes: noivos na ponte Alexander III. Nenhuma das partes era os sujeitos se agarrando na cena anterior. Aliás, muitas noivas andando por Paris durante o verão, tirando fotos em público e sujando a barra do vestido.
5. Depois de 10 meses, definir o que é essencial para um período de viagem e trabalho é enlouquecedor. Preciso levar um vestido, já que tenho reunião com o diretor do arquivo na Suiça. Preciso levar esmalte para disfarçar as unhas nojentas, logo carregar mais o pote de acetona. Preciso levar um biquíni, vai que dá tempo de pegar praia. Tudo dentro de uma mochila. Solução encontrada: mandar os cosméticos, ficar com as amostras grátis que ganhei durante o ano. Cada dia, um hidratante diferente, um creme para o rosto novo.
Mas nessas eu quase esqueço as meias.
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Olho de peixe
Graças à Dani, descobri que um dos meus objetos de desejo não era tão inacessível quanto eu imaginava. Busquei hoje as primeiras fotos que tirei com a minha Lomo FishEye. O grau de aproveitamento é pequeno, mas curti reviver a ansiedade de finalmente abrir o pacotinho para descobrir se saiu alguma coisa boa. Agora quero organizar um álbum ou um scrapbook para retomar a diversão analógica de colar papel. Clica na imagem aí que tem mais.
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Ah, les parisiens…
O blog Paris Secret… recuperou os antigos comerciais do jornal Le Parisien, que abordam a falta de gentileza e de educação dos moradores de Paris. O tema da campanha Le parisien: il vaut mieux l’avoir en journal quer dizer, numa tradução muito livre, “O parisiense: melhor tê-lo apenas no jornal”. Os tipos enfocados são os seguintes:
O mijão
O peidorreiro
O vizinho pau no cu
O informante pau no cu
Os torcedores delirantes
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AF 477

Na segunda-feira da semana passada, dia 01°, estranhamos que um senhor perguntava repetidas vezes, em inglês, qual era o terminal da Air France no Charles de Gaulle para as pessoas que estavam no RER B, o trem expresso que leva até o aeroporto. Como assim, não consultou o bilhete? Foi um dia corrido: fizemos a mudança e entrega do apartamento pela manhã, almoçamos com os meus pais e corremos até a Cité U. para buscar as malas do Rodrigo, que embarcava aquela mesma noite. Era feriado [não perguntem qual, desisti de entender as datas francesas], eu estava sem internet e só fiquei sabendo do desaparecimento do avião da Air France quando voltei para casa. Aquele sujeito em busca de informações começou a fazer um pouco mais de sentido.
O dia seguinte foi dedicado a responder emails de familiares e amigos dos meus pais que sabiam que eles viajavam no final de semana. A proximidade com o acidente foi estranha. Foi nesse vôo que a minha sogra chegou a Paris. Um casal de conhecidos trocou as passagens para uma data com tarifa mais barata, mas até então estavam com a reserva para o avião que sofreu o acidente.
Em meio às finais de Roland Garros, eleições do Parlamento europeu, comemorações dos 65 anos do “Dia D”, visita do Dalai Lama e dia das mães, as informações sobre o AF 477 vão desaparecendo na mídia francesa. Ontem, porém, um dos sindicatos ligados à aviação recomendou aos pilotos que não voassem nos Airbus modelos A330 e A340 até que os sensores sejam trocados.
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Sous le ciel de Paris
Tirei essa foto enquanto descansava os pés no espelho d’água do Louvre, na última terça-feira. Caiu o mundo chovendo algumas horas mais tarde.
Com o início da temporada de visitas parisienses, prevejo muita foto e quase nenhum texto para o mês de junho. Depois eu devo transformar esse blog num daqueles relatos de viagem, organizando informações úteis sobre Paris e arredores, além de me exibir com foteeenhas descolês (a/c vitorfasano).
Agora deixa eu curtir Namorado antes que ele volte pros trópicos.
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Eiffel e as futuras torres
Ontem a Torre Eiffel fez aniversário. Para comemorar os 120 anos, uma pintura nova e uma exposição sobre a sua construção. E só. Como no último Ano Novo parisiense, não providenciaram nem uns foguinhos de artifício para marcar a data do ponto turístico mais visitado do mundo – e provavelmente, também o mais fotografado. Sem graça.

Eu amo essa foto do Marc Riboud, tirada durante um lifting que a Torre ganhou em 1953. Gosto de enxergá-la da janela de casa, do ônibus, usá-la como ponto de orientação na cidade, apesar de ter achado ela meio baixinha à primeira vista. Talvez por isso me incomode a visão da Tour Montparnasse, prédio grande demais, desajeitado demais, no meio dos telhados fofos e prédios haussemanios (pior palavra).
Há mais de trinta anos, a construção de prédios altos estava proibida na área intra-muros de Paris. No entanto, ao final do ano passado, o prefeito Bertrand Delanoë apresentou o Triangle, arranha-céu de 180 metros destinado ao parque de exposições Porte de Versailles, no 15ème arrondissement. O projeto é dos arquitetos suiços Jacques Herzog e Pierre de Meuron, conhecidos pelo “Ninho de Pássaro”, estádio olímpico de Pequim, e a Tate Modern de Londres.
No mundo das notícias atualizadas, recentemente foram apresentados projetos para a reurbanização da “Grande Paris”, em exposição na Cité de l’architecture & du patrimoine. Segundo Sarkô, a prioritade é o transporte urbano e o governo planeja investir 35 bilhões de euros nessa área. Ou seja, da próxima vez que os amigos da Kimie* resolverem passar o Reveillón em Paris, não ficarão presos no metrô em pane junto com milhares de outras pessoas à meia-noite. Perderam o champagne, a comemoração no frio e a Torre Eiffel fazendo… hum, nada.
(*) Americana que conhecemos em Barcelona.
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Chama a Simone!
O principal anúncio da versão digital do Le Monde de hoje é da empresa de locação de veículos Sixt, com a simpática campanha “sim, nós também alugamos para as mulheres”. Fotos abaixo:




A observação de rodapé (***) lembra que mulheres causam 3,5 menos acidentes graves do que homens, que deve servir só para não ser boicotado pelas feministas. Bonito, nã?
Pior que vendo um anúncio desses só consigo pensar na cena bizarra que presenciamos ontem no metrô, no melhor estilo BARRACÃO FRANCÊS.: uma mouça chama seu maaacho para xingar uma outra senhôura, que estava com uma mala gigante e não gostou de ter sido empurrada na escada rolante pela mouça, que gritava “repete pra ele o que você me disse”. O maaacho ficava ameçando a senhôura e dizendo para ela chamar a polícia. Ela desceu do metrô e foi seguida pelos dois. Feminismo fail #2: chamando o maaacho pra lhe defender a sua hon-ra diante de uma velhinha. Vergonha dessa geração.

Madame Beauvoir te despreza
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Fait divers
1. Haja estômago para ser chefe de Estado. Semana passada, Sarkô bancava o galo num café-da-manhã no Elysée, desses cheio de parlamentares. Disse que Frau Merkel só imitava ele nas medidas contra a crise, que Obama era inexperiente. E chamou Zapatero de burro. Nessa, o King of Bling-Bling se superou. O ministro de negócios exteriores até tentou desculpar, mas não evitou o bafo.
Pula para essa segunda-feira. Na maior diplomacia, os dois tiram fotos entre abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim. Fiquei torcendo por uma quebra de decoro à la nossos ministros do Supremo, mas sabicumé, evento oficial, rei olhando, precisam manter as aparências.
Taí um emprego no qual eu não duraria nem dez minutos. Tratou mal amigo meu, chutou o meu gato, grudou chiclete no meu cabelo, usou frase minha fora de contexto pra me difamar em blog = MÓRREO. Ainda bem que não é a monarquia que paga o meu salário.
2. A chamada retenção de diretores e presidentes de empresas é uma forma de protesto bastante comum do movimento trabalhista francês. Consiste, em bom português, no seqüestro dos “patrões” para forçar a negociação das reivindicações. Apesar de não ter encontrado nenhuma notícia sobre prisões dos sindicalistas que adotam essa prática, a grande imprensa passou a condenar esse tipo de ação. Grandes fábricas fecharam as portas nos últimos meses e calcula-se que, no mês de março, a cifra de desempregados aumentou 62 mil. A greve nas universidades continua.
3. Nessa notícia eu só não estou mais atrasada que a Justiça francesa. Na semana passada, foi proibida a exposição Our body – corps ouvert, em cartaz desde 12 de fevereiro em Paris. Segundo o juiz que proferiu a sentença, lugar de cadáver é no cemitério e não em praça pública. As associações que entraram com o pedido de fechamento desconfiam que os corpos utilizados são de chineses condenados à morte. (Só para constar que Our body e Bodies não são a mesma exposição).
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