Queijaria
Gostaria de publicamente me retratar a respeito do queijo minas. Mãe (é, minha mãe lê o meu blog), ele não é tão sem gosto, borrachento e sem graça quanto passei a minha adolescência proclamando. Admito que bons queijos não precisam feder nem pingar gordura. Comecei a mudar de postura quando vi que o minas frescal era classificado como “semi-gordo”, o que encaixava bem na minha semi-dieta de pessoa semi-redonda. Ou pode ser efeito dos 30. Quem sabe eu também passo a gostar de ricota depois dos 40?
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Sexta-feira 13
Gatinho preto letrado se esconde atrás do Cortázar hoje. Tem medo de cruzar com gente pela frente.
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Travel Gifts
Confesso que respondi bem incrédula ao questionário que vinha junto ao meu passe de trem InterRail, um Eurail para quem mora há mais de 6 meses na Europa.Enviei daqui do Brasil mesmo a carta com meu itinerário de viagem e a escolha do brinde, que poderia ser um pendrive (pequeno) ou um caderno de viagens. Olha o que estava hoje na minha caixa de correspondência:
Será que adivinharam que eu já estou planejando a viagem para o Ano Novo?
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La rentrée
Fim do verão, fim de festa e (espero) também da moda das mulheres com unhas dos pés compridas e pintadas e dos homens de melissinha. O outono marca o começo de tudo em Paris: do ano escolar, dos lançamentos literários, da temporada de shows, da venda de vinhos, da volta ao trabalho, do trânsito e das greves. La rentrée é algo GRANDE na França e, por culpa dela, aqui por Porto Alegre também vai ser. Quando esse post for publicado, estarei não-bebendo e comemorando o exílio voluntário de Dani F., por um bom tempo ou para sempre. Espero que mande encomendas de livros e cosméticos pelo correio e descole um colchão para visitas. Começando a economizar grana para passagem para Europa em 3…2…1…
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Uí-fi
Mesmo que o wi-fi gratuito pela cidade tem sido substituído por um cadastro na Orange, aquela que não permite streaming, P2P ou voip nas conexões pagas, ou que a Paris III ache que internet sem fio faça mal à saúde, ou ainda que a lei Hadopi proponha barbaridades para usuários que queiram escutar uma musiquinha: uma introdução nada-a-ver para a listinha dos blogs favoritos sobre Paris. A inspiração veio daqui.

Amigo e compadre. França com um olhar sem frufru.
Catfights, lições de como pegar um táxi e dar gorjetas, imagens de lugares escondidos e outros que a gente nem repara.
Em francês, autocrítica parisiense e dicas restritas a locais.
Foi daqui que tirei o endereço de uma massagem thai rápida, barata e salvadora: coluna nova sem precisar marcar horário e atendimento simpático. A newsletter é lindinha.
Desenhista e engraçada, mas o blog eu não sei explicar.
Blog de uma brasileira com boas dicas para turistas, desavisados (eu) e curiosos.
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Meu itinerário durante a alta temporada européia foi definido pelos documentos que eu esperava encontrar para a minha tese de doutorado e por algumas, digamos, circunstâncias burocráticas. O National Archives de Kew West, em Londres, havia sido consultado em fevereiro, mas confesso que ver Londres no verão me tentou um pouco ao receber o convite de uma amiga-de-outra-amiga-que-virou-minha-amiga para conhecer a casa nova.
Fiquei duas semanas em Berlim trabalhando na Biblioteca Estatal, no Arquivo Político do Ministério das Relações Exteriores e no Instituto Ibero-Americano, mas fiquei sem o Bundesarchiv por motivos já explicados nesse outro post. Na primeira semana, ainda consegui acompanhar o curso de alemão na escola GLS (espaço para piadas aqui _____), mas apesar de ter apenas um conhecimento RUDIMENTAR do idioma, não era difícil se fazer compreender entre locais sempre dispostos e muito simpáticos. Melhor comida, melhor cerveja, melhores preços, melhor acolhida, melhor metrópole.
Munique e Genebra foram cidades que eu vi de passagem. O cansaço transformou a primeira em um plano futuro de viagem e também atrapalhou o rendimento no arquivo que visitei. A segunda impressiona pelas oportunidades profissionais que se abrem.
Graças à incoerência do serviço público nacional, tive uma semana livre. Rumei a Itália, mais exatamente Pesaro, para visitar a Ana e o Demori. Obrigada, burocratas, pelas férias forçadas. Praia, pizza, sorvete, ceva, sono e matando a saudade dessa gente exilada. Era tamanha a preguiça que quase não tirei fotos. Obviamente, passou voando e vi Milão de revesgueio, comendo uma pizza e tomando uma cerveja nos arredores da estação de trem com velhos conhecidos Dudu e Lesley enquanto não saía do trem para Paris.

Pés para não mostrar uma foto de biquíni
No retorno, mais trabalho e burocracias. Foi a segunda vez que mudei de cidade por questões acadêmicas – a primeira foram os dois anos de mestrado no Rio de Janeiro – , o que certamente muda bastante o meu olhar sobre os arredores do lugar que a maioria vê como um sonho de viagem, idílico, ou comparando Paris darwinianamente com os problemas que temos no Brasil. Ainda não sei se sentirei saudades, mas observar a sociedade francesa in loco e estudar seus processos sociais enriqueceram muito a minha percepção intelectual. E na minha cabeça, a tese já está pronta.
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Meu cachorro me sorriu latindo

Já fez um mês que voltei, mas como 40% da economia francesa, eu também parei no mês de agosto e não fiz lhufas. Quer dizer, fiz bastante: lavar roupa, providenciar burocracia, reordenar a casa, comer carne com gosto de carne, dormir, curar alergia e dor nas costas, rever amigos, afofar os gatos. Entre saguões de aeroportos e aviões, foram exatas 24 horas e 4 vôos diferentes entre Paris e Porto Alegre (valeu aí, Capes), mas sobrevivi. Agora preciso escrever a tese até março de 2010. Prevejo posts de fuga nos próximos meses.
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Pedras no caminho
Momentos em que eu gostaria de estudar flores ou guardanapos ou flores em guardanapos:
A principal documentação sobre o meu objeto de pesquisa perdeu-se durante um incêndio ao final da Segunda Guerra. A parte que sobrou sofreu incêndios consecutivos até ser quase totalmente eliminada. Por isso eu fico garimpando fontes em diferentes partes do mundo para comprovar o que direi na tese.
Durante o andamento do trabalho, descobri que alguns documentos importantes estariam sob guarda do Bundesarchiv, na Alemanha. Para liberar o acesso ao material, o Arquivo solicita aos pesquisadores estrangeiros não-vinculados a Universidades alemães que entreguem uma carta de apresentação assinada pela representação diplomática de seu país em Berlim.
Fui até a Embaixada brasileira munida de passaporte, comprovante de inscrição na UFRGS, carta de concessão de bolsa da CAPES, imagem de Nossa Senhora Aparecida e etc. Expliquei a situação, precisava de uma simples carta dizendo que eu era eu e ponto. Resposta (após algumas horas de elocubração): “nós não fazemos esse tipo de procedimento”. Por que? “Porque não é padrão”.
Tentei justificar dizendo que o governo me paga para fazer essa pesquisa, logo o governo não poderia se negar a me dar um papel confirmando isso. Outra negativa, que soou como um “te vira”. O encarregado da má notícia ainda afirmou que a culpa era do governo alemão, que não queria que pesquisassem a sua história. A mim, estava parecendo exatamente o contrário.
Eu recebo uma bolsa do governo brasileiro para desenvolver um projeto de pesquisa junto a uma universidade federal que, após quatro anos, resultará na minha tese de doutorado. Mas ali, não havia sequer um diplomata que pudesse confirmar essa mesma informação num papel, assinar e carimbar, para que eu pudesse seguir fazendo o meu trabalho. Azar o meu e dos cofres públicos.
É comum aos centros de documentação exercerem algum controle para acesso ao material que está sob sua guarda. Inclusive acho indispensável para prevenir roubos e danos intencionais à documentação. Em geral, basta um cadastro, o comprovante de residência, de vínculo acadêmico ou o envio prévio de um email.
A política de acesso será mais restrita de acordo com o “peso” do material a ser solicitado, por isso não coloco a culpa no Bundesarchiv. O problema será explicar, no Brasil, que o mesmo governo que financiou meus estudos na Europa não pode dizer na Alemanha o que eu vim fazer aqui.
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Berlin

Trabalho, trabalho, trabalho e mais trabalho no arquivo do Auswärtigen Amts. Não vi nem 1/3 do que gostaria na cidade, mas compensaram as companhias para a cerveja nos finais de tarde. O Träsel tinha me dito que Berlim era uma cidade para flanar e, de fato, não é lugar para fazer city tours nem para encontrar belezas óbvias. Talvez seja um lugar triste no inverno, mas eu estou traumatizada com a massa-de-ar-polar-vinda-da-Sibéria que encontramos em janeiro. Preciso voltar, mas sem compromissos, de férias com Namorado embaixo do braço e tempo livre para explorar. E claro, no verão.
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