Queijaria

09Dez09

Gostaria de publicamente me retratar a respeito do queijo minas. Mãe (é, minha mãe lê o meu blog), ele não é tão sem gosto, borrachento e sem graça quanto passei a minha adolescência proclamando. Admito que bons queijos não precisam feder nem pingar gordura. Comecei a mudar de postura quando vi que o minas frescal era classificado como “semi-gordo”, o que encaixava bem na minha semi-dieta de pessoa semi-redonda. Ou pode ser efeito dos 30. Quem sabe eu também passo a gostar de ricota depois dos 40?

Sei que tu comeu tofu e gostou


Sexta-feira 13

13Nov09

Gatinho preto letrado se esconde atrás do Cortázar hoje. Tem medo de cruzar com gente pela frente.


Travel Gifts

06Nov09

Confesso que respondi bem incrédula ao questionário que vinha junto ao meu passe de trem InterRail, um Eurail para quem mora há mais de 6 meses na Europa.Enviei daqui do Brasil mesmo a carta com meu itinerário de viagem e a escolha do brinde, que poderia ser um pendrive (pequeno) ou um caderno de viagens. Olha o que estava hoje na minha caixa de correspondência:

Será que adivinharam que eu já estou planejando a viagem para o Ano Novo?


Time may change me

but I can trace time

via Don’t touch my moleskine

La rentrée

19Set09

Fim do verão, fim de festa e (espero) também da moda das mulheres com unhas dos pés compridas e pintadas e dos homens de melissinha. O outono marca o começo de tudo em Paris: do ano escolar, dos lançamentos literários, da temporada de shows, da venda de vinhos, da volta ao trabalho, do trânsito e das greves. La rentrée é algo GRANDE na França e, por culpa dela, aqui por Porto Alegre também vai ser. Quando esse post for publicado, estarei não-bebendo e comemorando o exílio voluntário de Dani F., por um bom tempo ou para sempre. Espero que mande encomendas de livros e cosméticos pelo correio e descole um colchão para visitas. Começando a economizar grana para passagem para Europa em 3…2…1…


Uí-fi

19Set09

Mesmo que o wi-fi gratuito pela cidade tem sido substituído por um cadastro na Orange, aquela que não permite streaming, P2P ou voip nas conexões pagas, ou que a Paris III ache que internet sem fio faça mal à saúde, ou ainda que a lei Hadopi proponha barbaridades para usuários que queiram escutar uma musiquinha: uma introdução nada-a-ver para a listinha dos blogs favoritos sobre Paris. A inspiração veio daqui.

À francesa

Amigo e compadre. França com um olhar sem frufru.

The Paris blog

Catfights, lições de como pegar um táxi e dar gorjetas, imagens de lugares escondidos e outros que a gente nem repara.

Paris secret…

Em francês, autocrítica parisiense e dicas restritas a locais.

My little Paris

Foi daqui que tirei o endereço de uma massagem thai rápida, barata e salvadora: coluna nova sem precisar marcar horário e atendimento simpático. A newsletter é lindinha.

Margaux Motin

Desenhista e engraçada, mas o blog eu não sei explicar.

Conexão Paris

Blog de uma brasileira com boas dicas para turistas, desavisados (eu) e curiosos.


Meu itinerário durante a alta temporada européia foi definido pelos documentos que eu esperava encontrar para a minha tese de doutorado e por algumas, digamos, circunstâncias burocráticas. O National Archives de Kew West, em Londres, havia sido consultado em fevereiro, mas confesso que ver Londres no verão me tentou um pouco ao receber o convite de uma amiga-de-outra-amiga-que-virou-minha-amiga para conhecer a casa nova.

Fiquei duas semanas em Berlim trabalhando na Biblioteca Estatal, no Arquivo Político do Ministério das Relações Exteriores e no Instituto Ibero-Americano, mas fiquei sem o Bundesarchiv por motivos já  explicados nesse outro post. Na primeira semana, ainda consegui acompanhar o curso de alemão na escola GLS (espaço para piadas aqui _____), mas apesar de ter apenas um conhecimento RUDIMENTAR do idioma, não era difícil se fazer compreender entre locais sempre dispostos e muito simpáticos. Melhor comida, melhor cerveja, melhores preços, melhor acolhida, melhor metrópole.

Indo pro arquivo

Indo pro arquivo

Munique e Genebra foram cidades que eu vi de passagem. O cansaço transformou a primeira em um plano futuro de viagem e também atrapalhou o rendimento no arquivo que visitei. A segunda impressiona pelas oportunidades profissionais que se abrem.

Graças à incoerência do serviço público nacional, tive uma semana livre. Rumei a Itália, mais exatamente Pesaro, para visitar a Ana e o Demori. Obrigada, burocratas, pelas férias forçadas. Praia, pizza, sorvete, ceva, sono e matando a saudade dessa gente exilada. Era tamanha a preguiça que quase não tirei fotos. Obviamente, passou voando e vi Milão de revesgueio, comendo uma pizza e tomando uma cerveja nos arredores da estação de trem com velhos conhecidos Dudu e Lesley enquanto não saía do trem para Paris.

Pés para não mostrar uma foto de biquíni

Pés para não mostrar uma foto de biquíni

No retorno, mais trabalho e burocracias. Foi a segunda vez que mudei de cidade por questões acadêmicas –  a primeira foram os dois anos de mestrado no Rio de Janeiro – , o que certamente muda bastante o meu  olhar sobre os arredores do lugar que a maioria vê como um sonho de viagem, idílico, ou comparando Paris darwinianamente com os problemas que temos no Brasil. Ainda não sei se sentirei saudades, mas observar a sociedade francesa in loco e estudar seus processos sociais enriqueceram muito a minha percepção intelectual. E na minha cabeça, a tese já está pronta.


placa_conge

Já fez um mês que voltei, mas como 40% da economia francesa, eu também parei no mês de agosto e não fiz lhufas. Quer dizer, fiz bastante: lavar roupa, providenciar burocracia, reordenar a casa, comer carne com gosto de carne, dormir, curar alergia e dor nas costas, rever amigos, afofar os gatos. Entre saguões de aeroportos e aviões, foram exatas 24 horas e 4 vôos diferentes entre Paris e Porto Alegre (valeu aí, Capes), mas sobrevivi. Agora preciso escrever a tese até março de 2010. Prevejo posts de fuga nos próximos meses.


Momentos em que eu gostaria de estudar flores ou guardanapos ou flores em guardanapos:

A principal documentação sobre o meu objeto de pesquisa perdeu-se durante um incêndio ao final da Segunda Guerra. A parte que sobrou sofreu incêndios consecutivos até ser quase totalmente eliminada. Por isso eu fico garimpando fontes em diferentes partes do mundo para comprovar o que direi na tese.

Durante o andamento do trabalho, descobri que alguns documentos importantes estariam sob guarda do Bundesarchiv, na Alemanha. Para liberar o acesso ao material, o Arquivo solicita aos pesquisadores estrangeiros não-vinculados a Universidades alemães que entreguem uma carta de apresentação assinada pela representação diplomática de seu país em Berlim.

Fui até a Embaixada brasileira munida de passaporte, comprovante de inscrição na UFRGS, carta de concessão de bolsa da CAPES, imagem de Nossa Senhora Aparecida e etc. Expliquei a situação, precisava de uma simples carta dizendo que eu era eu e ponto. Resposta (após algumas horas de elocubração): “nós não fazemos esse tipo de procedimento”. Por que? “Porque não é padrão”.

Tentei justificar dizendo que o governo me paga para fazer essa pesquisa, logo o governo não poderia se negar a me dar um papel confirmando isso. Outra negativa, que soou como um “te vira”. O encarregado da má notícia ainda afirmou que a culpa era do governo alemão, que não queria que pesquisassem a sua história. A mim, estava parecendo exatamente o contrário.

Eu recebo uma bolsa do governo brasileiro para desenvolver um projeto de pesquisa junto a uma universidade federal que, após quatro anos, resultará na minha tese de doutorado. Mas ali, não havia sequer um diplomata que pudesse confirmar essa mesma informação num papel, assinar e carimbar, para que eu pudesse seguir fazendo o meu trabalho. Azar o meu e dos cofres públicos.

É comum aos centros de documentação exercerem algum controle para acesso ao material que está sob sua guarda. Inclusive acho indispensável para prevenir roubos e danos intencionais à documentação. Em geral, basta um cadastro, o comprovante de residência, de vínculo acadêmico ou o envio prévio de um email.

A política de acesso será mais restrita de acordo com o “peso” do material a ser solicitado, por isso não coloco a culpa no Bundesarchiv. O problema será explicar, no Brasil, que o mesmo governo que financiou meus estudos na Europa não pode dizer na Alemanha o que eu vim fazer aqui.


Berlin

20Jul09

Trabalho, trabalho, trabalho e mais trabalho no arquivo do Auswärtigen Amts. Não vi nem 1/3 do que gostaria na cidade, mas compensaram as companhias para a cerveja nos finais de tarde. O Träsel tinha me dito que Berlim era uma cidade para flanar e, de fato, não é lugar para fazer city tours nem para encontrar belezas óbvias. Talvez seja um lugar triste no inverno, mas eu estou traumatizada com a massa-de-ar-polar-vinda-da-Sibéria que encontramos em janeiro. Preciso voltar, mas sem compromissos, de férias com Namorado embaixo do braço e tempo livre para explorar. E claro, no verão.